Encontro veio para ficar
O Brasil é a maior nação negra do mundo fora do continente africano, com quase 100 milhões de negros e mestiços, e ainda assim mantém desigualdades em razão das raças e etnias. Para discutir as relações étnico-raciais e também comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) abriu na noite de ontem, 26, o Encontro de Culturas Negras - Povos do Cerrado. O encontro está sendo realizado na cidade de Uruaçu, com programação até o próximo sábado, 29.
Na solenidade oficial de abertura, o reitor do IFG, professor Jerônimo Rodrigues da Silva, disse que, ao promover o Encontro de Culturas Negras, a instituição reafirmava seu compromisso, já expresso no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), de promover uma política de promoção da igualdade racial. “O IFG manterá programas de reservas de vagas, projetos de permanência de alunos, com concessão de bolsas, e projetos de ensino, pesquisa e extensão que contemplem a igualdade racial”, enfatizou.
A abertura do evento foi realizada no Câmpus Uruaçu do IFG e contou com a participação de autoridades municipais, dos pró-reitores do IFG e do diretor-executivo, professor Paulo Henrique de Souza, dos dirigentes de câmpus do IFG e representantes do IFGoiano, da Universidade Federal de Goiás e do Memorial Serra da Mesa.
Resistência
O pró-reitor de Extensão do IFG, professor Sandro Di Lima, anunciou a continuidade do Encontro de Culturas Negras. “Um encontro, por si só, não é capaz de promover a igualdade e nem mesmo de garantir a sua continuidade, mas estamos falando da construção da nossa identidade. Por isso, pedimos a permissão dos quilombolas, a sua benção, e dizemos que viemos para ficar.”
A professora Janira Sodré de Miranda, da Comissão Provisória de Promoção da Igualdade Racial do IFG, lembrou que o trabalho institucional em favor da igualdade racial começou de forma simples, com atuação na sala de aula de professores comprometidos com a causa. “Este encontro é, portanto, culminância de um caminho já percorrido, mas também o início de um porvir, porque o IFG tem um grande papel a cumprir na construção de uma nação de iguais”, afirmou.
Janira lembrou os avanços ocorridos no Brasil nos últimos anos, principalmente no campo legal, com a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial. Lembrou ainda que o Dia da Consciência Negra homenageia Zumbi dos Palmares e Dandara, símbolos da resistência negra e da luta pela liberdade.
O diretor-geral do Câmpus Uruaçu, professor Leonne Borges Evangelista, elogiou a instituição de políticas afirmativas de promoção da igualdade racial no país, dizendo que não se trata de favor. O desenvolvimento industrial do Brasil deu-se a partir da acumulação de capital gerada pela mão-de-obra escrava, afirmou.
Também discursaram na solenidade de abertura do Encontro de Culturas Negras a prefeita de Uruaçu, Solange Abadia Bertolino, e a coordenadora do Memorial de Serra da Mesa, Sinvaline Pinheiro. Ambas ressaltaram a importância do evento. “É uma oportunidade de crescimento para todos”, frisou a prefeita.
Diretoria de Comunicação Social/ Reitoria.



