Arte, cultura e conhecimento marcam o último dia do Encontro de Culturas Negras
O último dia do Encontro de Culturas Negras – Povos do Cerrado, promovido pelo Instituto Federal de Goiás (IFG), foi marcado por discussões sobre arte, educação, cultura, sociedade e outros temas, além de várias apresentações artísticas. O evento terminou com o show de Leci Brandão, cantora e compositora brasileira que é, sem dúvida, umas das mais importantes intérpretes de samba do Brasil.
Durante o período da manhã, o Encontro abriu espaço para muitas discussões que problematizaram a questão do negro em vários âmbitos da sociedade. Foram realizadas comunicações coordenadas, relatos de experiência e apresentação de pôsteres, que levaram a discussões bastante importantes sobre as temáticas apresentadas.
É preciso questionar
Artistas marginais, violência contra os negros, dança negra, o ideal abolicionista e as mulheres, ambiente acadêmico, a presença da literatura negra na universidade e nas escolas e outros temas foram apresentados e, posteriormente, discutidos por vários pesquisadores que apresentaram os seus trabalhos no Câmpus Uruaçu. E um posicionamento presente em boa parte das falas diz respeito ao fato de que há uma grande necessidade de questionar e problematizar o eurocentrismo presente em várias áreas do conhecimento e os valores paradigmáticos que dele derivam.
Os proponentes das mesas, de um modo geral, reafirmaram em suas falas a necessidade de que sejam feitas mais pesquisas sobre o racismo, de que se questione mais o status quo e que o negro, em vários âmbitos do conhecimento, seja descoberto e valorizado. “Resistência e afirmação, nesse sentido, são essenciais”, ressaltou o pesquisador Gabriel Ambrósio, aluno intercambista da Faculdade de Letras, da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).
O discente que está no Brasil desde 2011 relatou em sua comunicação sua experiência “enquanto angolano, negro, jovem e estudante de intercâmbio vivendo no Brasil”. Segundo o estudante pesquisador, “é preciso valorizar e reconhecer a importância dos negros. Nessa perspectiva, é digno lutar e solidarizar-se com os nossos irmãos”.
Dia movimentado
Além das comunicações, no período da manhã foram realizadas apresentações de rodas de Capoeira, com o Grupo Abadá de Uruaçu, e houve também feira multicultural. No período da tarde, além de roda de conversa, o Câmpus Uruaçu se tornou palco para apresentações de catira, com integrantes do Quilombo Santa Rita do Novo Destino, e também de dança de tambor, com o Grupo de Dança Tambor Curraleira, de Campinaçu. Posteriormente, teve mais catira com o grupo de catireiras do Quilombo Santa Efigênia, além de congada com integrantes do Quilombo Santa Efigênia. Ambos os grupos são da mesma cidade: Niquelândia.
Show de Leci Brandão
O Encontro de Culturas Negras foi encerrado no Parque das Araras, na noite de sábado, com um show bastante especial. Além de ser uma das mais importantes intérpretes de samba da música popular brasileira, a cantora que fechou o evento é membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Nesse sentido, nada mais apropriado para finalizar o evento que a presença de uma cantora que, além de ser uma artista de valor incomensurável para a música brasileira, representa e luta por muito daquilo que foi buscado durante os quatro dias do evento.
Diretoria de Comunicação Social/Reitoria
Créditos das fotos de Leci Brandão: Janira Sodré



